HISTORIAL DA COMUNIDADE PORTUGUESA DE EUBIOSE

Com os presentes documentos pretendemos dar início à publicação do Historial da Comunidade Portuguesa de Eubiose. Ao longo do tempo iremos partilhando convosco uma parte do acervo documental que atesta o percurso trilhado pelos Irmãos de Portugal, desde o primeiro contacto com o Mestre até aos nossos dias. Pretendemos, deste modo, dar o nosso contributo e lançar alguma luz sobre aquilo que foi a génese e a História da Obra em Portugal, à qual todos nos encontramos profundamente ligados.

ÍNDICE

PRIMEIRO CONTACTO EM 1956

- Carta ao Mestre de 1 de Maio de 1956

O RETOMAR DO CONTACTO COM O MESTRE EM 1963

- Carta ao Mestre de 29 de Janeiro de 1963

- Carta do Mestre de 14 de Março de 1963

- Fotos enviadas pelo Mestre em 1963

UMA VITÓRIA DA OBRA

- Carta Revelação de 16 de Fevereiro de 1963

CONVITE PARA REPRESENTAÇÃO EM PORTUGAL

- Carta de 9 de Abril de 1963 do Director Social da STB

 

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PRIMEIRO CONTACTO

Iniciamos este Historial com a publicação de dois documentos fundamentais. Num deles se mostra a primeira carta escrita pelos quatro Irmãos portugueses que estabeleceram o primeiro contacto, em Portugal, com a instituição Brasileira e o Mestre, datada de 1 de Maio de 1956. Na segunda carta, a resposta enviada pela Directoria da STB aos Irmãos de Portugal, ainda no mesmo ano, em 12 de Outubro.

 

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O RETOMAR DO CONTACTO COM O MESTRE EM 29 DE JANEIRO DE 1963

Quando em 1956 os Jovens da Cidade Invicta – Gabriel Velasques, Armando Ranito, José Neves Gonçalves, Olímpio Neves Gonçalves, e, também, Maria do Céu Gonçalves – estabeleceram o primeiro contacto com a Sociedade Teosófica Brasileira e o Mestre, deram início a uma estreita relação fraternal com o Brasil. Ao longo do tempo foi estabelecida uma troca epistolar que permitiu a esses Irmãos Portugueses – que apelidamos de Anciãos – levarem a cabo um conjunto de iniciativas que visavam o estabelecimento e a difusão da Eubiose em Portugal.

O contexto político e social do nosso País, à época, não permitia que o ideário humanista e espiritual da Eubiose pudesse ser livremente difundido e discutido com a tranquilidade que todos desejariam. Foi, assim, necessário, operar uma transformação “maiávica” do contexto em que ela se manifestava para que pudesse trabalhar e desenvolver as suas actividades.

Os nossos Anciãos não podiam, de facto, desenvolver uma actividade mais intensa em torno da Eubiose e dos seus propósitos. Contudo, tal não impediu que se fosse operando uma reflexão profunda sobre os factores subjacentes à génese da Obra a nível Planetário.

A 29 de Janeiro de 1963 os Anciãos de Portugal escrevem uma nova carta ao Mestre. Eis a 1ª de 4 páginas:

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Ao que o nosso Mestre responde em carta com o envio de foto dedicadas, das quais publicamos algumas abaixo.

Nessa carta, datada de 14 de Março de 1963, o Mestre agradece as fotografias que recebeu de Portugal.

"Ven. (venerável) e prezadíssimo Irmão Sr. J. Neves Gonçalves: Saúde e Paz, em companhia do vossos digníssimos "Pares", que tomaram parte nas gloriosas excursões a S. Lourenço dos Ansiães enviando-me valiosa carta, acompanhada de fotografias do regio LOGAR onde, outrora, se reunia a misteriosa ORDEM DOS MARIZES”.

Tal carta e fotografias me fôram entregues pelo Eng. César do Rego Monteiro, em S. Lourenço, quando ali fomos, como acontece todos os anos, para tomarmos parte na nossa Convenção de 24 de Fevereiro. (...)

Mais à frente o Mestre refere:

"Estou escrevendo esta carta com muita dificuldade, mas além dos valores que tendes para mim e os vossos Digníssimos Companheiros, desejava remeter-vos duas outras revistas de imenso valor, alem de fotografias que muito vos hão de agradar. Em S. Lourenço pedi ao Eng. Rego Monteiro, o mesmo que me entregou vossa carta e fotografias, que vos escrevesse em meu lugar, enviando outras revistas. E que isso fosse feito com todas quantas a STB fosse publicando durante o ano. Do mesmo modo que respondendo ao vosso questionário.

Estabelecidos, assim, os laços espirituais que há muito (tenho certeza) nos unem, qual acontece com o Brasil e Portugal tereis sempre notícias nossas, da Obra e da Instituição." (...)

No final, envia uma saudação em língua agartina:

"AT NIAT NIATAT, ou seja: UM POR TODOS. TODOS POR UM"

e com grande humildade, antes de assinar, escreve

"Do servo e irmão muito grato"

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Como já referimos, com esta carta envia nas 6 fotos. Nesta abaixo, o Mestre escreve:

Ao muito Ilustre e querido Irmão Sr. J. Neves Gonçalves. E digníssimos "companheiros" Investigadores da Divina Sabedoria Srs Armando Ranito, Gabriel Velasquez e Olímpio N. Gonçalves.

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UMA VITÓRIA DA OBRA

Ainda antes de escrever a carta de 14 de Março, o Mestre numa das suas Cartas de Revelação internas, em 16 de Fevereiro de 1963, a partir de S. Paulo, Brasil, dá instruções pormenorizadas para escreverem aos 4 Anciãos e os convidarem a ser Seus representantes. Transcrevemos parte dessa carta:

"...veio uma grande VITÓRIA DA OBRA, para comunicarmos com o glorioso PORTUGAL: uma carta acompanhada de postais tirados por uma plêiade de portugueses ilustres, que segundo parece, são de alguma Ordem Secreta, talvez mesmo da Maçonaria, mas ocultando tal cousa nos tempos salazaristas... Já me escreveram há muitos anos e eu lhes respondi, enviando duas revistas. Pelo que parece uma delas, foi a preciosíssima de número 110, que fala de ordens secretas, inclusive de MARIZ, dirigida pelo Barão Henrique Antunes da Silva Neves, falando ainda que a mesma se reunia em S. LOURENÇO DOS ANCIÃES. Eles foram lá por várias vezes, pois não conheciam este misterioso LUGAR. Vieram entusiasmados, porque encontraram as fontes sulfurosas de que falo no meu artigo, uma Capelinha de S. Lourenço, mandada construir por um padre católico. Enfim, tendo no frontispício, A ROSA E A CRUZ. Só isso fala pela referida ORDEM, donde surgiram a de AVIS, fita verde e a de Cristo, Vermelho tendo como síntese política a "Bandeira de Portugal" ... Se ali foram para se convencerem das minhas palavras, "precisam ver para crer", esquecendo as palavras de Cristo: "Felizes daqueles que não viram e creram".

Mas parece, que o foram cheios de esperança e gratidão, por serem de alguma Ordem que merece apoio e distinção de nossa parte, além do mais por terem feito um grande e expontâneo JURAMENTO de firmarem em silêncio sobre tudo quanto lhes revelamos. Sim carta e fotografias, valem por um GRANDE TESOURO, além do mais para quem conhece a Dhâranâ numero 110. Precisamos responder-lhes, agradecendo a confiança e os valores bem lusitanos, ou dos Descobridores do BRASIL. E com a carta, os últimos 4 números de Dhâranâ, incluindo o que trás JK (Juscelino Kubitschek), que acaba de visitar PORTUGAL. E como fundador de BRASÍLIA, foi agraciado por nós. Eles lendo tais revistas, conhecerão melhor quem sou. E por que fui a Portugal, sem esquecer de juntar a profecia da SERRA DE SINTRA, que eles podem encontrar no livro SINTRA PINTURESCA, em qualquer livraria de Portugal. (x)

E assim em meu nome convidá-los para ser nossos representantes naquele país, fundando uma CASA CAPITULAR, caso o momento político não lhes sirva de obstáculo a semelhante APOTEOSE, unindo assim PORTUGAL AO BRASIL, depois de 463=13 anos da DESCOBERTA. Ano do CA: CABRAL, CARAMURU, CATARINA PARAGUAÇU.

Será que eles sabem que o termo PORTUGAL provém de PORTO GALO OU GAULÊS? E que o verdadeiro nome de Lisboa é ULISSIPA, como feminino de Ulisses, por ser seu fundador, donde o Lis de Lisboa?

(...)

PAZ LUZ E PROGRESSO EM HARMONIA DE PENSAMENTO

(...)

(x) Unir o Ganges ao Tejo é unir Oriente ao Ocidente, de Portugal para o Brasil.

(...)

(Nota da CPE: O negrito é nosso)

 

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CONVITE PARA REPRESENTAÇÃO EM PORTUGAL

Com data de 9 de Abril do mesmo ano, os Anciãos Portugueses recebem, pois, uma carta da Instituição Brasileira, assinada pelo Director Social da STB, César do Rego Monteiro Filho e que se inclui a seguir. Esta carta transcreve em grande parte as notas finais do Mestre.

Por absoluta impossibilidade física – dada a doença que O afligia – o Mestre deixa algumas indicações aos Irmãos Portugueses. Uma delas é expressa da seguinte forma:

“Infelizmente não existe nenhum órgão representativo da STB em Portugal. Não sabemos mesmo se, dado o clima aí reinante, não seria possível tal coisa. Para nós seria motivo de grande alegria e, se não fosse grande demais o sacrifício, ousaria convidar-vos a exercerem a nossa delegação nas lusas e gloriosas terras.”

É deste modo que começa a ganhar corpo a ideia da fundação da instituição portuguesa o que vem a acontecer mais tarde, com a criação do Instituto Cultural Infante Henrique de Sagres ou Instituto Cultural I. H. S. Nessa carta é dito muito claramente pelo Mestre, através de César do Rego Monteiro Filho, referindo-se à Ordem de Mariz e à sua exteriorização à face da Terra:

"Como foi dito anteriormente a Ordem de Mariz não mais existe e, portanto, não pode ser reorganizada".

Carta de 9 de Abril de 1963 do Director Social da Sociedade Teosófica Brasileira, César do Rego Monteiro Filho.

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