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por Olímpio Gonçalves
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Dentro do respeito votado pelos ciganos a certos santos da igreja cristã às cerimónias religiosas, peregrinações e festas importantes, numa aparente adaptação local às diversas práticas, a raça cigana conserva habilmente a integridade da sua Tradição. A sua devoção, toda especial, dedicada à Virgem, configura tão somente a necessidade de exercerem o seu próprio culto, sem molestarem o status dos povos em que permanecem integrados.
O seu culto não se dirige a uma qualquer virgem da hagiologia cristã, mas para as virgens negras, nomeadamente para Sara, não uma santa mas uma serva. E é tanto mais de estranhar, porque no universo mariano da cristandade as hierarquias eclesiásticas sempre pugnaram pela destruição e desaparecimento destas imagens, quando puderam. Sara, a Virgem Negra, representa para a raça cigana o símbolo da Mãe, da Mulher, da Irmã, da Rainha, a "Phuri Dai", a "Bibi" secreta e divina dos Rom do mundo inteiro.
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